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sábado, 19 de novembro de 2011

Afinal, no que acreditar? - A mídia e sua influência nos hábitos e na saúde

Olá caros leitores! Saudades de postar aqui.
Minha vida tem sido corrida, o mestrado tem sido bem puxado... Mas me inspirei para escrever.
Venho por meio deste post, de forma humilde mesmo, expor minha opinião a respeito de algumas coisas que aconteceram nesta semana.
Não tenho a pretenção de parecer 'expert' no assunto, tão pouco criticar o que eu não conheço.
Tentarei me deter apenas naquilo que tenho propriedade, ou seja, Nutrição.

Embora essa matéria venha atrasada, vale a pena publicá-la. O grande problema da população é quando algo acontece, explode na mídia, e depois cai no esquecimento.

O assunto do post de hoje é a famosa e polêmica reportagem da revista Veja, a respeito do medicamento a recém lançado, chamado Victoza, que apresenta um efeito colateral muito interessante: causa emagrecimento.
Em primeiro lugar,  peço perdão aos farmacêuticos pela minha falta de conhecimento no assunto, mas até onde é sabido,  um medicamento novo deve ser usado com cautela pela população, aliás, população esta bem específica, já que não é todo o diabético que pode usar este remédio.

Em segundo lugar, a revista valeu-se de uma necessidade atual para promover o uso, como chamamos tecnicamente, offlabel do produto. Ou seja, ao invés dele ser usado para o propósito dele, que é tratar o Diabetes, encoraja-se o uso pelo efeito colateral que este proporciona (um exemplo disso é o viagra, que inicialmente foi criado para tratar hipertensão). Gostaria então de pedir aos leitores deste blog que abram seus olhos, pois além de encorajar um uso equivocado do medicamento, a revista ainda usa de linguagens subjetivas como 'milagre', 'efeitos colaterais brandos e passageiros', mas não sita quais são esses efeitos. Ainda utiliza esquemas com mecanismos de ação do medicamento, informações específicas sobre aplicação que, com certeza, a maior parte da população não tem conhecimento técnico suficiente para questionar e criticar. Ou seja, utiliza recursos linguísticos para convencer o povo a usar o produto.

No site do medicamento, consta o seguinte parágrafo, a respeito do mesmo (traduzi para o português):

Em estudos com animais, victoza causou tumores na tireóide, incluindo câncer de tireóide, em alguns ratos e camundongos. Não é sabido se Victoza causa tumores de tireoide ou um tipo de cancer de tireoide chamado cancer medular de tireoide (MTC) em pessoas, que pode ser falta se não detectado e tratado precocemente. Não use Victoza se você ou qualquer membro da sua família tiver história de MTC ou se você tem Sindrome da Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN2). Durante o uso de Victoza, fale ao seu médico se você tiver  uma protuberância ou inchaço no pescoço, rouquidão, dificuldade para deglutir ou para respirar. Esses podem ser sintomas de câncer de tireóide.

Minha pergunta é: seria este o 'efeito colateral BRANDO e PASSAGEIRO' que a Veja estava se referindo? Será que, quem redigiu esta reportagem, teria pesquisado mais a respeito do assunto? Claro que se formos ler todas as bulas de medicamentos que usamos, não tomaríamos nenhum. Mas apenas pela incerteza que a própria bula traz, dizendo que o medicamento deve ser usado com cautela, já nos deixa em alerta, mostrando que não é tão irrelevante assim o efeito colateral. Existem muitos outros efeitos colaterais no site, se vocês quiserem saber mais, segue o link: Victoza - Saiba Mais.

Convido os leitores a esta reflexão. Hoje em dia não temos idéia de como somos manipulados pela mídia. Muitas pessoas obesas, após ter lido tais palavras como 'milagre' e 'efeitos brandos', seguido de um emagrecimento de, se não me engano, 7 a 12kg na SEMANA, devem ter ficado muito esperançosas e comprado o remédio - que é tarja vermelha, logo, não é necessário de receita.

Deixo um beijo a todos os leitores, agradeço pelas visitas e comentários, e desejo um ótimo final de semana a todos! Na esperança de que essa matéria seja útil e nos provoque a reflexão,

Nutr. Julhana Pohlmann

Um comentário:

  1. Muito bom post, cara Nutr. Julhana Pohlmann. Concordo plenamente.

    Eng. Matheus Mendes

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